Em resumo
Toda empresa mantém classificações hierárquicas, mesmo sem chamá-las assim. O plano de contas separa ativo, passivo e resultado. O catálogo divide produtos em linhas e famílias. O helpdesk organiza chamados por categoria e subcategoria. Cada uma dessas estruturas é uma taxonomia, e quase sempre é o ponto de partida mais curto para o Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.
O termo vem da biologia, onde nomeia a classificação dos seres vivos em reino, filo, classe e assim por diante. Em gestão da informação, uma taxonomia é uma classificação hierárquica de termos em categoria, subcategoria e item. A única relação entre eles é "é um tipo de": notebook é um tipo de computador, que é um tipo de equipamento de TI.
Cada termo costuma ter um único pai, e cada registro do sistema é encaixado em um ponto da árvore. Os exemplos corporativos são conhecidos:
Uma ontologia é a especificação dos conceitos de um domínio, dos atributos de cada um, das relações entre eles e das regras que se aplicam. Ela contém a hierarquia e vai além dela.
Na classificação hierárquica, o produto está na família de impressoras. Na ontologia, o mesmo produto também é fornecido por um fornecedor, coberto por um contrato de garantia e atendido por uma equipe técnica. Ele tem atributos, como prazo de garantia e nível de serviço, e obedece a regras, como a de que defeito dentro da garantia gera troca sem custo.
A comparação lado a lado mostra onde cada estrutura para:
Entre uma lista de termos e uma ontologia há estruturas intermediárias. O vocabulário controlado é a lista de termos autorizados para um campo, como os status possíveis de um pedido, sem hierarquia. A taxonomia acrescenta a árvore. O tesauro acrescenta o termo preferido, os sinônimos e os termos relacionados, de modo que NF e nota fiscal apontem para o mesmo conceito.
O W3C publicou em 2009 o padrão SKOS para representar tesauros, esquemas de classificação e taxonomias em formato que sistemas diferentes conseguem ler. Uma taxonomia descrita nesse padrão passa a ser reaproveitável por outras ferramentas, o que facilita o degrau seguinte.
O limite aparece quando a pergunta exige relação entre ramos ou entre sistemas. Um agente que precisa decidir se um chamado de impressora gera troca sem custo depende de saber qual contrato cobre aquele equipamento, para qual cliente e até quando. A árvore informa apenas que o equipamento é uma impressora.
Sem essas relações, o modelo recebe a categoria do produto e completa a lacuna com a continuação mais provável. A resposta soa correta e aplica a regra errada. Perguntas que atravessam ERP, helpdesk e gestão de contratos pedem a rede de relações que a ontologia registra.
A ontologia do negócio raramente começa do zero. No Company Brain, cada taxonomia que a empresa já mantém vira o esqueleto inicial: as categorias passam a ser classes, os itens passam a ser entidades no grafo de conhecimento e a relação "é um tipo de" é preservada. Sobre essa base entram as relações laterais, os atributos e as regras.
O tesauro alimenta a camada semântica, que reconhece os sinônimos usados nas perguntas. A árvore de centros de custo pode ainda refletir a permissão herdada do sistema de origem, em que cada gestor vê sua equipe e as abaixo dela. O contexto é servido a qualquer modelo via MCP, e cada resposta aponta a fonte.
O reaproveitamento encurta a implantação, porque as áreas validam estruturas que já conhecem.
Uma árvore mantida por anos acumula problemas: categorias duplicadas, a categoria Outros com metade dos registros e catálogos diferentes para o mesmo produto no ERP e no e-commerce. Antes de servir de base, a taxonomia precisa de um dono, de um mapeamento entre sistemas e de uma revisão dos ramos que ninguém usa.
O passo prático é inventariar as classificações que a empresa já mantém e escolher uma ligada a uma pergunta recorrente, como a cobertura de garantia de um chamado. Essa taxonomia, mapeada ao segundo sistema e acrescida das primeiras relações, forma o primeiro recorte da ontologia do negócio.