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Resolução de entidades:
o que é e por que vem antes da IA

Em resumo

Uma empresa quer saber quanto gastou com um fornecedor no ano. O sistema de compras mostra um valor, o contas a pagar mostra outro, e a diferença está em três cadastros do mesmo fornecedor criados por equipes diferentes ao longo do tempo. Decidir quais registros representam a mesma empresa se chama resolução de entidades, e dela depende a qualidade de qualquer resposta de IA sobre fornecedores, produtos ou pessoas. Ela também é a base do Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.

A resolução de entidades identifica registros que descrevem a mesma coisa

A resolução de entidades é o processo de identificar quais registros, em sistemas diferentes ou dentro do mesmo sistema, representam a mesma entidade do mundo real. Em inglês, o termo é entity resolution. Deduplicação e record linkage são nomes usados para recortes do mesmo problema: eliminar cadastros repetidos em uma base e ligar registros entre bases distintas.

O problema surge em qualquer entidade que mais de um sistema cadastra:

  • Fornecedores: o mesmo fornecedor cadastrado no sistema de compras pela matriz e pela filial que emite as notas, e no contas a pagar com o nome abreviado.
  • Produtos: o item que o ERP identifica por um SKU interno aparece no e-commerce com outro código e outra descrição.
  • Pessoas: a colaboradora registrada no HRIS pela matrícula é um login de rede no sistema de chamados e um e-mail antigo no sistema de despesas.

O processo passa por cinco etapas, da limpeza à revisão humana

Os projetos de resolução de entidades costumam seguir a mesma sequência:

  1. Normalização: padronizar grafia, acentos, abreviações e formatos de endereço e telefone.
  2. Blocagem: agrupar os registros por um critério simples, como CEP ou categoria de produto, e comparar apenas pares dentro do mesmo grupo, porque comparar todos com todos é inviável em bases grandes.
  3. Comparação: medir a semelhança de cada atributo do par, como nome, endereço e código.
  4. Decisão: classificar o par como vínculo, não vínculo ou caso duvidoso, a partir de regras ou de uma pontuação.
  5. Revisão humana: enviar os casos duvidosos a alguém da área e registrar a decisão.
As cinco etapas da resolução de entidades, da normalização à revisão humana
A resolução de entidades passa por cinco etapas, e os casos duvidosos vão para revisão

Regras determinísticas e probabilísticas tratam casos diferentes

Uma regra determinística exige concordância exata em um identificador confiável, como o mesmo código de barras no ERP e no e-commerce ou a mesma matrícula no HRIS e no sistema de despesas. Ela é simples de auditar e depende de o identificador estar preenchido nas duas pontas.

Quando não há identificador comum, entra a abordagem probabilística. Cada atributo recebe um peso, e coincidir em um sobrenome raro pesa mais que coincidir em um sobrenome frequente. A base formal dessa abordagem é o modelo publicado por Ivan Fellegi e Alan Sunter em 1969, com dois limiares de pontuação e três saídas possíveis. Um relatório do U.S. Census Bureau que revisa o modelo de Fellegi e Sunter e as técnicas de blocagem descreve a faixa entre os limiares como a zona destinada à revisão manual.

Juntar entidades diferentes contamina as respostas de IA

A resolução de entidades erra de duas formas. A primeira é separar o que é igual. O fornecedor continua com três cadastros e o gasto aparece fragmentado, um erro visível porque a resposta sai incompleta.

A segunda é juntar o que é diferente. Dois fornecedores com nomes parecidos viram um único registro, e as ocorrências de entrega de um entram no histórico do outro. O erro é silencioso, porque o resultado parece dado consolidado.

Com IA, o segundo erro pesa mais. O modelo recebe a entidade fundida como fato e redige uma resposta coerente sobre um fornecedor que não existe, com o atraso de um e o contrato do outro. Por isso os limiares costumam ser mais conservadores para a fusão: um caso duvidoso enviado à revisão custa menos que um vínculo errado propagado para todas as consultas.

Os dois erros da resolução de entidades: separar registros iguais e juntar registros diferentes
Na resolução de entidades, juntar o que é diferente contamina todas as respostas seguintes

Cada vínculo precisa de trilha e de reversão

Para cada par ligado, o registro guarda a regra ou a pontuação que motivou a decisão, os atributos comparados, quem aprovou nos casos revisados e a data.

A reversibilidade depende de como o vínculo é armazenado. Quando a resolução de entidades sobrescreve os registros originais, desfazer uma fusão errada exige reconstruir dados à mão. Quando os registros de origem permanecem intactos e o vínculo fica em uma camada separada, a correção consiste em remover a ligação.

No Company Brain, a resolução de entidades sustenta o grafo de conhecimento

Cada nó do grafo de conhecimento é uma entidade já resolvida, ligada aos registros de origem em cada sistema. Sem essa etapa, o grafo repetiria a fragmentação dos sistemas.

A ontologia do negócio define o que conta como a mesma entidade. Compras pode tratar matriz e filial como fornecedores distintos, porque o prazo de entrega muda entre elas, enquanto o financeiro consolida as duas para medir a exposição total. A regra de vínculo segue essa definição, e o grafo guarda os dois níveis.

Quando um agente consulta o Company Brain via MCP, recebe a entidade já resolvida, com a indicação dos registros que a compõem. A permissão é herdada de cada sistema de origem, e a resposta aponta de onde veio cada informação.

Resolução de entidades como base do grafo de conhecimento do Company Brain, servida via MCP
No Company Brain, o agente recebe a entidade já resolvida pela resolução de entidades

A resolução de entidades depende de atributos comparáveis e de donos para os casos ambíguos

Nenhum método liga registros que não compartilham atributos comparáveis. Se um sistema guarda apenas o nome e outro apenas um código interno, a ligação depende de uma terceira fonte ou de cadastro manual.

Os limiares precisam de calibração com quem conhece os dados, e a fila de revisão precisa de um responsável na área. O processo também é contínuo, porque cada novo cadastro passa pelas mesmas etapas.

Um primeiro projeto de resolução de entidades começa por uma entidade e duas fontes

O ponto de partida recomendado é uma pergunta recorrente que hoje esbarra em duplicidade, como o gasto anual por fornecedor cruzado com as ocorrências de entrega. Ela define a entidade, as duas primeiras fontes e os atributos para comparação.

O volume da fila de revisão nas primeiras semanas mostra onde vale corrigir o cadastro na origem. As entidades resolvidas nesse recorte passam a servir o próximo caso de uso, que parte delas em vez de recomeçar a conciliação.

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