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Ontologia de dados:
o que é e como dá um só sentido a cada termo

Em resumo

Um teste rápido para saber se a empresa tem um problema de definição é perguntar a três áreas o que é um cliente ativo. Vendas costuma responder que é quem tem contrato assinado. Finanças considera quem pagou a última fatura. Customer Success olha para quem usou o produto nos últimos trinta dias. As três respostas são razoáveis e produzem números diferentes para a mesma pergunta. A ontologia de dados é o registro que resolve essa diferença. Ela é um dos três componentes do Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.

Ontologia de dados é o vocabulário formal do negócio

O termo vem da filosofia, onde descreve o estudo do que existe. Em computação, ganhou um sentido prático: uma especificação explícita dos conceitos de um domínio, dos atributos de cada conceito e das relações permitidas entre eles. Na Strattum, chamamos essa especificação de ontologia do negócio, porque ela descreve como uma empresa específica funciona.

Para cada termo, a ontologia de dados responde a quatro perguntas:

  • o que ele significa nesta empresa;
  • quais atributos o caracterizam;
  • com quais outros termos ele se relaciona;
  • qual regra decide se um registro se enquadra nele.

Cliente ativo passa a ter uma definição escrita, uma regra de cálculo, uma lista de sistemas onde aparece e uma área responsável.

Estrutura de um termo na ontologia de dados com significado, atributos, relações e regra
Cada termo da ontologia de dados responde a quatro perguntas e tem dono

Glossário, dicionário de dados e ontologia cumprem papéis diferentes

Muitas empresas já têm um glossário de negócio ou um dicionário de dados. O glossário descreve termos em linguagem natural e serve para leitura humana. O dicionário descreve colunas e tabelas de um banco específico. A ontologia de dados liga as duas coisas: parte do conceito de negócio, aponta onde ele está representado em cada sistema e registra a regra que o calcula em um formato que uma máquina consegue aplicar.

Essa última característica é a que importa para a IA. Um glossário bem escrito ajuda uma pessoa nova a entender a empresa. Um agente de IA precisa da regra em forma executável para aplicar a mesma definição em todas as respostas. Padrões como a linguagem de ontologias publicada pelo W3C existem para expressar esse tipo de especificação de forma que sistemas diferentes consigam interpretá-la.

Manter uma ontologia de dados não exige que as áreas de negócio aprendam uma linguagem formal. A definição é escrita e validada por quem conhece o processo, e a equipe técnica a traduz para o formato que os sistemas conseguem aplicar. O conhecimento continua com a área, e a regra passa a valer em todos os lugares onde o termo aparece.

Diferença entre glossário, dicionário de dados e ontologia de dados
A ontologia de dados liga o conceito de negócio às colunas de cada sistema

Sem ontologia, a definição usada pela IA muda a cada resposta

Quando um modelo de linguagem recebe a pergunta sobre quantos clientes ativos a empresa tem no Sul, alguma definição de cliente ativo vai ser aplicada. Sem uma definição registrada, o modelo segue a interpretação mais frequente no texto que recebeu, que pode ser a de vendas em uma resposta e a de finanças na seguinte. As duas respostas soam corretas, e a divergência só aparece quando alguém compara os números na reunião.

O problema cresce com agentes que executam ações. Uma política que libera desconto para clientes adimplentes depende da definição de adimplente. Se a cobrança considera o acordo de renegociação e o financeiro considera o vencimento original, dois agentes que consultam a mesma política chegam a resultados opostos para o mesmo cliente.

Cada termo da ontologia de dados precisa de dono e de versão

Uma ontologia de dados só funciona se as definições forem mantidas. Cada termo central precisa de uma área responsável, de uma data de revisão e de um histórico de versões. Quando finanças muda o critério de inadimplência, a mudança é registrada com data, e as respostas passam a indicar qual versão da definição foi usada.

A versão também protege a análise histórica. Um relatório do ano anterior continua explicável pela definição que valia na época, mesmo depois que o critério mudou, e a comparação entre períodos deixa claro quando a diferença vem do negócio e quando vem da regra.

Isso também desfaz um impasse comum. Nem sempre é preciso escolher uma única definição para a empresa inteira. Cliente ativo para vendas e cliente ativo para finanças podem coexistir como termos distintos, com nomes distintos, desde que cada pergunta seja ligada ao termo certo. O erro está em usar a mesma palavra para os dois sem registrar a diferença.

A ontologia dá significado ao grafo e orienta a camada semântica

No Company Brain, os três componentes trabalham juntos. O grafo de conhecimento guarda as entidades e as relações entre elas. A ontologia de dados diz o que cada entidade e cada relação significam e quais regras se aplicam. A camada semântica usa esse vocabulário para traduzir uma pergunta em linguagem natural para a consulta correta, com a permissão de quem perguntou.

Quando alguém pergunta pelos clientes ativos da própria carteira, a camada semântica identifica o termo, consulta a ontologia para saber qual definição vale para aquela área e percorre o grafo com essa regra. A resposta, servida ao modelo via MCP, cita a definição aplicada e os sistemas de origem.

Ontologia de dados entre o grafo de conhecimento e a camada semântica no Company Brain
No Company Brain, a ontologia de dados dá significado ao grafo e orienta a camada semântica

Uma ontologia útil começa pelos termos que geram conflito

Tentar modelar todos os conceitos da empresa antes do primeiro caso de uso costuma produzir um documento extenso que ninguém consulta. O caminho mais curto é listar os termos que aparecem em relatórios de áreas diferentes com números que não batem. Cliente ativo, receita, churn, pedido entregue e chamado resolvido são candidatos frequentes.

Cada termo resolvido passa a valer para todos os agentes e relatórios que consultam o Company Brain. A ontologia de dados cresce junto com os casos de uso, e cada novo projeto herda as definições que os anteriores já acordaram.

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