Anunciamos US$ 3,2M em rodada pré-seed · OneVC · Maya · Norte Ventures Leia →
Voltar ao blog

GraphRAG:
o que é e quando supera o RAG tradicional

Em resumo

Uma gerente de suprimentos quer saber quais fornecedores que atrasaram entregas no último semestre também abastecem as linhas de produção com mais pedidos em carteira. A resposta depende de seguir uma cadeia de relações: fornecedor, pedido de compra, componente, linha de produção. O RAG tradicional recupera trechos parecidos com a pergunta e para aí. O GraphRAG é a variação que monta o contexto percorrendo um grafo de entidades e relações. Ele conversa diretamente com o Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.

GraphRAG usa um grafo de entidades para montar o contexto da resposta

No RAG tradicional, a unidade de recuperação é o trecho de texto mais parecido com a pergunta. No GraphRAG, a unidade de recuperação é a entidade e a vizinhança dela no grafo: o fornecedor, os pedidos ligados a ele, os componentes desses pedidos e as linhas que consomem esses componentes.

O processo tem três passos. O sistema identifica as entidades citadas na pergunta, localiza essas entidades no grafo e expande o recorte pelas relações relevantes. O subgrafo resultante, acompanhado dos textos associados a cada nó, entra no prompt.

Etapas do GraphRAG: identificar entidades, localizar no grafo, expandir relações e enviar o subgrafo ao modelo
No GraphRAG, a recuperação parte das entidades da pergunta e se expande pelas relações

O termo vem de um estudo da Microsoft Research publicado em 2024

A abordagem ganhou nome quando pesquisadores da Microsoft Research propuseram um índice em forma de grafo para responder perguntas sobre coleções inteiras de documentos e chamaram o método de GraphRAG. O estudo partia de uma limitação conhecida: o RAG tradicional falha em perguntas globais, como quais são os temas principais de um conjunto de textos, porque nenhum trecho isolado contém essa resposta.

A proposta usa um LLM para extrair entidades e relações dos documentos e agrupa as entidades mais ligadas entre si em comunidades. Cada comunidade recebe um resumo gerado previamente. Diante de uma pergunta global, o sistema combina esses resumos em uma resposta única. Nos testes do estudo, essas respostas ficaram mais completas e mais diversas que as do RAG tradicional.

Há duas formas comuns de construir o grafo do GraphRAG

As implementações se dividem pela origem do grafo:

  • Grafo extraído de documentos: um LLM lê cada texto, identifica entidades e relações e grava o resultado como nós e arestas. É a variante do estudo original e serve para coleções de relatórios, atas e pareceres.
  • Grafo construído a partir dos dados estruturados: as entidades vêm dos registros que já existem no ERP, no CRM e nos demais sistemas, com seus identificadores, e as relações vêm dos vínculos que esses sistemas já guardam. O texto dos documentos é ligado depois às entidades certas.

As duas variantes podem coexistir. Na primeira, cada nó é uma inferência do modelo extrator. Na segunda, cada nó corresponde a um registro com dono e origem conhecidos.

As duas variantes do GraphRAG: grafo extraído de documentos e grafo construído a partir dos dados estruturados
O GraphRAG pode partir de um grafo extraído de documentos ou dos registros dos sistemas

O GraphRAG ganha em perguntas que atravessam várias relações

A vantagem aparece em três tipos de pergunta:

  • Multi-hop: a resposta exige encadear dois ou mais saltos entre entidades, como no caso dos fornecedores atrasados e das linhas de produção que eles abastecem.
  • Perguntas globais: a resposta resume um conjunto inteiro, como os riscos mais citados nas atas do comitê de auditoria ao longo do ano.
  • Relações entre entidades: a pergunta é sobre o vínculo em si, como quais projetos compartilham o mesmo responsável técnico e o mesmo prestador de serviço.

Em perguntas pontuais, cuja resposta está escrita em um parágrafo, o RAG tradicional costuma bastar e custa menos.

A extração automática traz duplicidade, erro de relação e custo de manutenção

A variante do GraphRAG que extrai o grafo de documentos herda as imprecisões do modelo extrator. O mesmo fornecedor aparece como três nós porque foi escrito com sigla, sem sigla e pelo nome fantasia. Uma relação é criada porque dois nomes apareceram no mesmo parágrafo, sem que o texto afirmasse vínculo entre eles. Cada erro desse tipo se propaga para todas as respostas que passam pelo nó.

Há também o custo de indexação. Cada documento passa por chamadas ao modelo para a extração, e os resumos de comunidade exigem outras chamadas. Quando os documentos mudam, a extração precisa rodar de novo, e o grafo desatualizado continua respondendo com as relações antigas.

Há ainda a governança. Um grafo extraído mistura documentos com níveis de acesso diferentes. Uma relação inferida de um parecer jurídico restrito pode aparecer na resposta de alguém que nunca teve acesso ao parecer, e o grafo raramente registra de qual trecho cada aresta saiu.

O Company Brain parte do grafo construído a partir dos sistemas de origem

No Company Brain, o grafo de conhecimento nasce dos registros dos sistemas de origem. O fornecedor é o cadastro do ERP, o pedido de compra é o registro com número e data, e a ligação entre eles é a que o próprio sistema já guarda. A ontologia do negócio define o que cada entidade e cada relação significam.

A permissão é herdada da fonte. Cada nó e cada aresta carregam a regra de acesso do sistema de onde vieram, e o recorte servido ao modelo via MCP contém apenas o que quem perguntou já pode ver. Cada relação aponta o registro de origem, o que torna a resposta auditável.

A busca em texto entra como complemento. Atas, contratos e relatórios são indexados e ligados às entidades do grafo, e a camada semântica decide quando a pergunta pede o caminho entre registros, quando pede um trecho escrito e quando pede os dois.

GraphRAG no Company Brain: grafo dos sistemas de origem com ontologia, permissão herdada e documentos como complemento
No Company Brain, o GraphRAG parte dos sistemas de origem e usa os documentos como complemento

Um grafo confiável depende de identificadores consistentes e de definições com dono

O GraphRAG sobre dados estruturados exige fontes com identificadores minimamente consistentes. Cadastros duplicados no próprio ERP chegam ao grafo e precisam ser tratados na resolução de entidades, com revisão humana nos casos ambíguos. As definições da ontologia também precisam de uma área responsável, porque uma relação mal definida produz respostas coerentes e erradas.

O primeiro GraphRAG começa por uma pergunta multi-hop recorrente

O ponto de partida prático é uma pergunta que hoje exige consultar dois ou três sistemas em sequência e que se repete toda semana. Ela define as entidades, as relações e as fontes do primeiro recorte. Em seguida entram os documentos que ajudam a explicar essas entidades, ligados ao grafo e sujeitos à mesma permissão herdada.

Receba os próximos artigos sobre arquitetura de contexto para IA