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Engenharia de contexto:
o que é e o que muda no prompt

Em resumo

Um agente que analisa um pedido de reembolso faz várias chamadas ao modelo antes de concluir a tarefa. Em cada uma, alguma parte do sistema decide o que o modelo recebe: a instrução, a política vigente, o histórico do cliente, o resultado da ferramenta anterior, a lista de ações disponíveis. A engenharia de contexto é a disciplina que faz essa escolha a cada chamada. Dela dependem a qualidade da resposta e o custo de cada execução, e ela se apoia no Company Brain, a camada que conhece a empresa (quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê).

Engenharia de contexto decide o que entra na janela do modelo

Um modelo de linguagem trabalha apenas com o que está na janela de contexto no momento da chamada. O que fica fora da janela não participa da resposta. A engenharia de contexto trata essa janela como um recurso limitado e projeta, para cada etapa, o conjunto de informações que a tarefa exige.

O trabalho tem quatro operações. Selecionar qual trecho da política entra. Ordenar, para que a instrução e o dado principal fiquem em posição de destaque. Resumir o histórico de uma tarefa longa. Descartar o resultado de uma ferramenta que já cumpriu o papel.

A engenharia de prompt é uma parte da engenharia de contexto

A engenharia de prompt trata da redação da instrução: como formular a tarefa, quais exemplos incluir, qual formato pedir na saída. Ela resolve bem os casos em que a tarefa cabe em uma pergunta e uma resposta e o conhecimento necessário já está no texto enviado.

A engenharia de contexto inclui essa instrução e cuida de tudo o que chega ao modelo junto com ela: dados recuperados de sistemas e documentos, histórico, descrição das ferramentas, resultados de chamadas anteriores e memória de interações passadas. Em um agente corporativo, a instrução costuma ocupar a menor parte da janela.

Agentes de várias etapas tornaram o contexto um gargalo

O termo ganhou espaço quando os projetos passaram de perguntas isoladas para agentes que executam sequências de passos. Cada passo acrescenta um resultado de ferramenta ao histórico, e a janela cresce a cada etapa. Sem critério, a última chamada carrega o resíduo de todas as anteriores.

Janelas maiores aliviam o limite de espaço e trazem dois efeitos colaterais. O primeiro é o custo, porque cada token enviado é cobrado em cada chamada. O segundo é a qualidade. Em 2023, Liu e colegas mostraram que o desempenho dos modelos cai quando a informação relevante está no meio de contextos longos, inclusive em modelos desenhados para janelas extensas. Mais texto na janela pode diluir justamente o trecho que decide a resposta.

Os componentes do contexto têm origens e prazos de validade diferentes

Uma chamada de agente corporativo combina cinco componentes:

  • Instruções: o papel, as regras e o formato de saída, estáveis entre chamadas.
  • Dados recuperados: registros de sistemas e trechos de documentos buscados para a pergunta em curso.
  • Histórico: as mensagens e os passos anteriores da mesma tarefa.
  • Ferramentas: a descrição de cada ação disponível e os resultados das que já foram acionadas.
  • Memória: fatos de interações passadas que continuam relevantes, como um acordo comercial registrado com o cliente.

Cada componente envelhece em ritmo próprio. A instrução muda a cada versão do agente, o histórico vale para a tarefa em curso, e o dado de um sistema pode mudar entre uma chamada e a seguinte.

Os cinco componentes da engenharia de contexto e o prazo de validade de cada um
Na engenharia de contexto, cada componente da chamada envelhece em ritmo próprio

As falhas de engenharia de contexto têm causas conhecidas

Os erros costumam nascer em um destes quatro pontos:

  • Excesso: o pipeline envia tudo o que pode ser relevante, o custo sobe e o trecho decisivo fica diluído no meio da janela.
  • Conflito: duas fontes chegam com valores diferentes para o mesmo dado, como o limite de crédito do ERP e o de uma planilha antiga, e o modelo completa a lacuna com a continuação mais provável.
  • Desatualização: a política indexada no mês passado entra no lugar da vigente, e a resposta sai coerente com uma regra que já mudou.
  • Falta de permissão: o contexto inclui dado que a pessoa que perguntou não pode ver, porque a recuperação usou a credencial do agente.
As quatro falhas mais comuns de engenharia de contexto
Excesso, conflito, desatualização e falta de permissão são as falhas mais comuns de engenharia de contexto

O custo por token se define na montagem do contexto

Em agentes corporativos, a maior parte dos tokens de entrada vem do contexto, porque a instrução é curta e os dados recuperados, o histórico e as descrições de ferramentas são longos. Cada trecho desnecessário é pago em cada chamada e em cada etapa do agente.

O contexto enxuto tem um segundo efeito. Quando a informação chega resolvida e sem conflito, a tarefa exige menos do modelo, e muitas etapas passam a rodar em modelos menores e mais baratos.

O Company Brain é a infraestrutura da engenharia de contexto

A engenharia de contexto depende de saber, a cada pergunta, quais dados existem, onde estão, qual versão vale e quem pode vê-los. Quando essa resposta é montada dentro de cada agente, cada projeto refaz a mesma integração.

No Company Brain, esse trabalho fica em uma camada comum. O grafo de conhecimento liga o pedido de reembolso ao cliente, à compra original e aos chamados anteriores. A ontologia do negócio define qual política vale para aquele tipo de compra. A camada semântica traduz a pergunta para a consulta certa e devolve só o recorte necessário, com a permissão herdada do sistema de origem e a fonte de cada informação.

Esse recorte é servido ao agente via MCP, o protocolo aberto que conecta modelos a fontes de dados. A janela recebe menos texto, sem valores conflitantes e na versão vigente, e o próximo caso de uso reaproveita o mesmo contexto.

Company Brain como infraestrutura de engenharia de contexto, servindo o recorte certo via MCP
O Company Brain entrega à engenharia de contexto o recorte certo para cada pergunta

A engenharia de contexto começa pela medição de cada chamada

O primeiro passo prático é registrar, para um agente em produção, o que entra em cada chamada: quanto vem da instrução, dos dados recuperados, do histórico e das ferramentas, e quais trechos de fato aparecem na resposta final.

Os trechos que entram e nunca são usados apontam o excesso. As respostas erradas por fonte conflitante ou desatualizada apontam onde o primeiro recorte do Company Brain deve começar. Com esse recorte pronto, a engenharia de contexto de cada agente novo parte de uma camada que já resolve fontes, versões e permissões.

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