Anunciamos US$ 3,2M em rodada pré-seed · OneVC · Maya · Norte Ventures Leia →
Voltar ao blog

Agentes de IA sem dados estruturados erram a resposta

Em resumo

Uma diretora comercial pergunta a um agente qual foi a margem do canal de distribuidores no último trimestre. O agente encontra três tabelas de vendas, escolhe uma e devolve um número. A consulta roda sem erro, e o número está errado: a tabela escolhida não desconta devoluções. Agentes de IA que respondem perguntas sobre os dados da empresa erram assim quando não recebem dados estruturados, isto é, dados com definição, fonte oficial, entidades resolvidas e regras registradas, servidos ao agente de forma organizada. Fornecê-los é o papel do Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.

Agentes de IA transformam uma pergunta de negócio em análise

Um agente desse tipo recebe a pergunta em linguagem natural, identifica as tabelas envolvidas, escreve e executa as consultas e devolve a resposta, às vezes com um gráfico.

A proposta é tirar da fila do time de dados as perguntas recorrentes da diretoria. Os modelos escrevem SQL sintaticamente correto na maior parte das vezes, e as respostas erram mesmo assim.

Uma pergunta simples esconde quatro decisões que o esquema não registra

A pergunta sobre a margem do canal de distribuidores exige, antes de qualquer SQL, quatro decisões que um analista experiente toma sem perceber:

  • Definição: margem bruta ou de contribuição, com ou sem frete. Cada área usa uma.
  • Fonte autoritativa: entre faturamento, visão consolidada e extração de vendas, apenas uma tabela é a referência do fechamento.
  • Conhecimento tácito: as devoluções de distribuidores entram no mês seguinte ao da venda, e os pedidos anteriores à troca de ERP estão no sistema antigo. Nenhuma das duas regras está escrita no banco.
  • Identidade: o mesmo distribuidor tem um cadastro por filial, e as filiais precisam ser somadas.

O esquema do banco informa colunas e tipos. Sem dados estruturados que digam qual tabela vale e qual exceção se aplica, o modelo escolhe a opção mais provável: a tabela com o nome mais parecido com a pergunta.

As quatro decisões que dados estruturados resolvem antes de o agente de IA escrever a consulta
Antes do SQL, dados estruturados trazem definição, fonte, regra tácita e identidade

Agentes de IA erram sem dados estruturados, e o SQL correto esconde o erro

Em uma análise publicada pela a16z em março de 2026, Jason Cui e Jennifer Li observam que, mesmo com modelos muito melhores em gerar código, esses agentes continuam errando, porque o problema vai além do text-to-SQL: a definição das métricas e a fonte correta de cada número estão fora do esquema.

Uma consulta que roda e devolve um número plausível não dispara alerta. A resposta chega formatada e entra na apresentação sem que ninguém refaça a conta. Técnicas melhores de text-to-SQL continuam dependendo dos dados estruturados que recebem.

A camada de contexto vai além da camada semântica do BI

A camada semântica das ferramentas de BI define métricas como receita, churn e ticket médio com um único cálculo. Ela foi desenhada para painéis, cobre o que o time de dados modelou à mão e envelhece quando quem a mantinha sai da empresa.

A análise da a16z trata a camada de contexto como um conjunto maior, que contém a camada semântica e acrescenta o que os agentes de IA precisam para operar com autonomia:

  • entidades canônicas, com a lista oficial de clientes, produtos e canais;
  • resolução de identidade entre cadastros da mesma entidade em sistemas diferentes;
  • conhecimento tácito, com as regras condicionais e históricas que hoje vivem na cabeça das pessoas;
  • orientação de governança, com quem pode ver cada dado e qual fonte vale para cada uso.
Camada semântica dentro da camada de contexto que entrega dados estruturados aos agentes de IA
A camada de contexto entrega dados estruturados aos agentes de IA e vai além das métricas

Cinco etapas levam dados estruturados aos agentes de IA

A mesma análise organiza a construção dessa camada em cinco etapas:

  1. tornar acessíveis os dados de que as perguntas dependem, inclusive o conhecimento registrado fora do data warehouse;
  2. construir automaticamente um primeiro rascunho do contexto a partir de fontes de alto sinal, como o histórico de consultas, os modelos de transformação e as definições de métricas existentes;
  3. refinar o rascunho com as pessoas que conhecem as regras condicionais e históricas;
  4. conectar os agentes à camada por API ou MCP;
  5. manter o contexto atualizado à medida que sistemas, regras e feedback dos agentes mudam.

A terceira etapa é a que mais pesa. O histórico mostra quais tabelas os analistas usam. O motivo de a consulta de fechamento excluir um grupo de pedidos está na memória de quem a escreveu.

Cinco etapas para levar dados estruturados aos agentes de IA no Company Brain
No Company Brain, o refinamento humano completa os dados estruturados com as regras tácitas

No Company Brain, cada etapa tem um componente responsável

O Company Brain conecta ERP, CRM, data warehouse e documentos uma única vez. O grafo de conhecimento registra as entidades canônicas e liga as filiais ao mesmo distribuidor. A ontologia do negócio guarda o que margem e canal significam na empresa, com a fonte autoritativa de cada atributo. A camada semântica traduz a pergunta para a consulta certa sobre essas definições.

O conhecimento tácito entra pela revisão humana. A controller que conhece a regra das devoluções a registra uma vez, com data de início e responsável, e todos os agentes de IA passam a aplicá-la. Quando a regra muda, ela atualiza o registro.

Os dados estruturados são servidos aos agentes via MCP, com a permissão herdada do sistema de origem: quem não vê margem por cliente no ERP também não a recebe pelo agente. Cada resposta aponta a tabela, a definição e a regra aplicadas.

Dados estruturados envelhecem quando a regra não tem dono

Uma reclassificação de canais, uma migração de sistema ou uma nova política comercial invalidam regras registradas. Sem um responsável por domínio, os dados estruturados descrevem a empresa de um ano atrás, e os agentes repetem a versão antiga.

Fontes que existem apenas em planilhas pessoais precisam ir para um local consultável antes de entrar no contexto. E uma resposta marcada como errada por quem usa o agente precisa voltar para quem mantém a regra.

Os primeiros dados estruturados saem das perguntas do fechamento

As perguntas que a controladoria e a área comercial respondem todo mês, como margem por canal, giro de estoque e taxa de renovação por segmento, são um bom ponto de partida. Elas têm resposta conhecida para comparação.

O trabalho inicial é registrar, com quem as calcula hoje, a fonte autoritativa e as exceções de cada uma e conectar um agente de IA a esse recorte. Cada pergunta nova reaproveita as entidades e as regras já registradas no Company Brain.

Receba os próximos artigos sobre Company Brain