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Context graph:
o que é e por que registra o porquê das decisões

Em resumo

Um diretor de vendas aprova, para uma renovação, um desconto acima do teto previsto na política. O CRM passa a mostrar o novo valor. O motivo fica na conversa da aprovação: o cliente recebeu proposta de outro fornecedor, e outra conta do mesmo setor teve condição parecida meses antes. O context graph, ou grafo de contexto, é a estrutura que registra esse porquê e o liga às entidades e ao tempo. Ele estende o grafo de conhecimento do Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.

O context graph registra o porquê das decisões ao lado do estado atual

CRM, ERP e helpdesk são sistemas de registro. Eles guardam o estado: o valor do contrato, o prazo de pagamento, o limite de crédito, a prioridade do chamado. Quase nenhum guarda por que aquele valor foi aceito naquele caso.

Exceções, aprovações, precedentes e o cruzamento de informações entre sistemas ficam em conversas, e-mails e na memória de quem decidiu.

Em dezembro de 2025, Jaya Gupta e Ashu Garg, da gestora Foundation Capital, descreveram os rastros de decisão como a camada que os sistemas de registro deixam de fora. No texto, eles chamam de context graph a estrutura formada por esses rastros acumulados ao longo das entidades e do tempo.

Regras dizem o que vale em geral e rastros registram o caso específico

Uma regra comercial define o desconto máximo por faixa de contrato. Um rastro de decisão registra o que aconteceu em um caso: qual política se aplicou, qual exceção foi pedida, quem aprovou, com base em qual precedente e com quais dados à vista. Alguns exemplos:

  • Desconto excepcional: um diretor aprova desconto acima do teto e registra a justificativa.
  • Prazo estendido: o financeiro concede prazo maior de pagamento a um cliente porque um caso anterior, com o mesmo perfil de atraso, foi tratado assim.
  • Exceção de crédito: uma analista libera um pedido acima do limite porque a fatura em aberto está em contestação no jurídico.

Cada rastro liga uma decisão às entidades que ela afetou, ao momento em que aconteceu e às informações consultadas. Acumulados, os rastros formam o context graph, e o precedente passa a ser pesquisável: quando uma exceção parecida foi concedida, por quem e com qual justificativa.

Anatomia de um rastro de decisão no context graph: política, exceção, dados consultados e aprovador
Cada rastro do context graph registra a política, a exceção, os dados consultados e quem aprovou

O grafo de conhecimento modela o estado e o context graph acrescenta a decisão

O grafo de conhecimento representa as entidades do negócio e as relações vigentes entre elas: este cliente assinou este contrato, que originou estes pedidos.

O context graph usa as mesmas entidades como âncora e acrescenta um tipo de nó, a decisão. Cada decisão aponta para as entidades que afetou, para a regra em vigor, para a exceção concedida e para a pessoa que aprovou. As duas estruturas dependem uma da outra, porque um rastro sem a entidade certa só é recuperado por semelhança de texto.

Agentes de IA precisam de precedente para lidar com exceção

Um agente que opera apenas com regras resolve bem o caso típico. Diante da exceção, ele aplica a regra ao pé da letra ou completa a lacuna com a continuação mais provável, e o resultado diverge da prática da empresa.

Com acesso aos rastros, o agente recupera casos anteriores parecidos e os apresenta a quem decide, com a política vigente e os dados que sustentaram cada aprovação. A decisão de exceção continua humana. O agente prepara o caso, a pessoa aprova, ajusta ou recusa, e o rastro registra quem decidiu e por quê.

Só captura o rastro quem participa do momento da decisão

O argumento central dos autores é de arquitetura. O rastro existe no momento em que a decisão é tomada: quais dados foram consultados, qual política foi avaliada, qual exceção foi pedida e quem aprovou. Quem está nesse caminho de execução registra o context graph enquanto a decisão acontece.

Um sistema que lê os dados depois, por ETL (cargas periódicas para o data warehouse), recebe o estado final. Ele vê o contrato com desconto acima do teto e não vê a conversa que justificou o desconto. O porquê se perde na passagem.

Context graph capturado no caminho de execução comparado à carga periódica que recebe só o estado final
O context graph se forma onde a decisão acontece, e a carga posterior recebe apenas o resultado

Rastros de decisão exigem regra de acesso, retenção e LGPD

Um rastro de exceção de crédito pode conter a situação financeira do cliente e trechos de conversa interna, e herda a sensibilidade de todas as fontes que consultou.

  • Permissão: o rastro volta apenas para quem já poderia ver os dados que ele cita.
  • Retenção: a empresa define por quanto tempo cada tipo de rastro fica disponível como precedente e quando é arquivado.
  • Versão da política: cada rastro guarda a regra vigente na data, para que o precedente seja lido com a regra daquele momento.
  • LGPD: quando o rastro envolve dado pessoal, valem os princípios de finalidade e necessidade, e um pedido de eliminação precisa localizar todos os rastros ligados ao titular.

O Company Brain liga as decisões às entidades do grafo

No Company Brain, o histórico das interações e das decisões é registrado junto às entidades do grafo de conhecimento. Uma aprovação de desconto fica ligada ao cliente, ao contrato, à oportunidade e à pessoa que aprovou, com data e sistema de origem. A ontologia do negócio define o que cada tipo de decisão significa.

A permissão é herdada do sistema de origem. Um rastro que cita dado do ERP volta só para quem já vê esse dado no ERP. Os rastros ficam no perímetro do cliente, e o recorte necessário é servido via MCP ao agente que prepara a próxima decisão, com a fonte de cada informação.

Trata-se de uma direção de arquitetura, construída processo a processo: o context graph ganha valor conforme mais decisões passam pelo fluxo em que o registro acontece.

Company Brain ligando o context graph às entidades do grafo de conhecimento com permissão herdada e MCP
No Company Brain, o context graph fica no perímetro do cliente e chega ao agente via MCP

Um primeiro context graph começa por um processo cheio de exceções

O ponto de partida recomendado é um processo com decisões repetidas e muitas exceções, como aprovação de desconto, liberação de crédito ou concessão de prazo. O primeiro passo é mapear onde a aprovação acontece hoje e quais dados quem aprova consulta antes de decidir.

Em seguida, o fluxo de aprovação passa a registrar cada decisão com justificativa, aprovador, política e entidades. Nas semanas seguintes, a equipe verifica se os precedentes recuperados ajudam quem decide a próxima exceção.

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