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Context engineering
a disciplina que decide o que o modelo vê

Prompt engineering respondeu à primeira pergunta que aparece quando alguém começa a usar um modelo: como pedir.

À medida que agentes passam a ocupar o centro dos produtos, a pergunta que decide o resultado é outra. Que informação colocar diante do modelo, e em que momento.

É esse trabalho que se chama context engineering.

A diferença aparece quando um agente sai do protótipo. Dois times podem partir do mesmo modelo, do mesmo framework e da mesma base de documentos e chegar a resultados muito distantes. O que separa os dois é o que cada um decidiu colocar na janela de contexto de cada chamada.

Essas decisões são de engenharia e podem ser tratadas como tal. Têm critério, têm custo e podem ser medidas.

O que o RAG resolve, e a pergunta que continua aberta

Retrieval-Augmented Generation foi um salto. Deu ao modelo uma forma de alcançar informação que não estava nos seus pesos e resolveu boa parte do problema de acesso.

Context engineering faz uma pergunta mais difícil. Dada uma janela de contexto limitada, qual é a melhor combinação possível de informação para o modelo executar esta tarefa, agora?

Recuperar trechos relevantes é uma das respostas possíveis. Ela divide o espaço da janela com tudo o mais que precisa estar lá.

O que disputa espaço na janela

Em um agente em produção, uma única chamada costuma acumular:

  • O system prompt e as instruções
  • A entrada do usuário
  • O histórico recente da conversa
  • Memória de longo prazo
  • Informação recuperada, de bancos vetoriais, APIs ou tools MCP
  • As definições das tools e as respostas que elas devolvem
  • O formato de saída estruturada esperado

Cada um desses elementos ocupa espaço que os outros deixam de ter. A tarefa é escolher o conjunto certo, na ordem certa, no momento certo.

Encher a janela é a decisão mais fácil de tomar e a mais cara de manter.

Seleção de fontes e de ferramentas

Antes de qualquer recuperação acontecer, o modelo precisa saber o que existe à disposição.

O roteamento já é uma decisão de contexto. Definir se uma pergunta sobre receita vai para o data warehouse, para o CRM ou para a política financeira que está em documento determina tudo o que vem depois dela.

Quando essa escolha é deixada para o modelo sem que as fontes estejam descritas, ele adivinha. E adivinha de novo na execução seguinte, porque nada do que funcionou na primeira ficou registrado em algum lugar.

Descrever quais fontes existem, o que cada uma contém e quando cada uma é a correta é trabalho de contexto feito antes da primeira query.

Compressão e ordenação

Janelas de contexto são finitas e crescem mais devagar do que o volume de informação que uma empresa gostaria de colocar dentro delas.

Resumir o conteúdo recuperado, ordenar resultados por relevância ou por data, cortar trechos redundantes. Isoladamente são escolhas pequenas, e o efeito delas se acumula ao longo de uma execução inteira.

A ordem pesa mais do que costuma parecer. O mesmo conjunto de dez documentos produz respostas diferentes conforme qual deles aparece primeiro.

O mesmo vale para o que está desatualizado. Quatro versões de uma política na mesma janela obrigam o modelo a escolher entre elas, e ele vai escolher com o critério que tiver à mão.

Arquitetura de memória de longo prazo

Em agentes conversacionais, o que é guardado entre sessões pesa tanto quanto o que está na janela atual.

Isso exige decidir o que merece ser lembrado. Uma correção feita pelo usuário, uma preferência declarada, uma exceção que se repete: cada um desses sinais pode virar contexto durável ou pode se perder quando a conversa termina.

E exige decidir o que é recuperado, e quando. Memória que volta inteira a cada chamada deixa de funcionar como memória e passa a ocupar tokens sem devolver sinal.

Um agente que guarda e recupera bem melhora com o uso. É o mesmo mecanismo que faz uma pessoa nova no time render mais no segundo mês do que no primeiro.

Passos focados no lugar de uma chamada única

Boa parte do ganho vem de dividir o trabalho.

Workflows bem desenhados quebram uma tarefa complexa em etapas, e cada etapa carrega o contexto enxuto de que precisa. Cada chamada fica com menos ruído, e um erro fica contido na etapa em que aconteceu.

Isso também torna o sistema observável. Quando uma resposta sai errada em uma chamada monolítica com tudo dentro, é difícil saber qual pedaço do contexto causou o problema. Em etapas, dá para apontar.

Sistemas construídos assim tendem a ser mais rápidos, mais baratos de operar e mais previsíveis quando algo muda.

Onde o contexto passa a ser infraestrutura

Todas essas decisões se repetem a cada agente novo.

Quando cada projeto resolve a seleção de fontes, a compressão, a ordenação e a memória por conta própria, o segundo agente refaz o trabalho do primeiro com critérios diferentes. A empresa termina com duas versões do que é verdade sobre ela, e nenhuma das duas sabe da outra.

É por isso que parte dessas decisões pertence a uma camada compartilhada. Quais fontes existem, o que cada uma significa, qual versão de um documento está em vigor, quem pode ver o quê: isso é contexto empresarial, e pode ser construído uma vez.

Context engineering é o trabalho de decidir o que chega ao modelo. Ter esse trabalho feito uma vez e reutilizável é o que muda a economia de colocar o próximo agente em produção.

Contexto construído uma vez.

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