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Classificação de dados:
o que é e por que vem antes da IA

Em resumo

Um agente de IA conectado ao drive da empresa precisa reunir as decisões do trimestre para o time comercial. Entre os arquivos que ele alcança está a ata de diretoria sobre a compra de outra empresa, com a palavra CONFIDENCIAL no rodapé. O agente processa o rodapé como mais uma linha de texto, e o resumo menciona a negociação. A classificação de dados estava no documento, e nenhum sistema a lia. Fazer essa marcação valer na consulta é uma das funções do Company Brain, a camada que conhece a empresa: quais dados existem, onde vivem, como se relacionam e quem pode ver o quê.

A classificação de dados define acesso, circulação e proteção

Classificação de dados é a atribuição, a cada conjunto de dados, de um nível de sensibilidade que determina quem pode acessá-lo, por onde pode circular e quais controles o protegem. Um dado restrito exige acesso nominal, criptografia e registro de cada leitura. Um dado público pode ir para o site.

A ideia vem da segurança da informação. O NIST, instituto de padrões dos Estados Unidos, publicou em 2004 o padrão FIPS 199, que categoriza a informação pelo impacto da perda de confidencialidade, integridade ou disponibilidade, em três níveis: baixo, moderado e alto. As escalas corporativas seguem a mesma lógica.

Níveis medem o dano da exposição, e categorias apontam obrigações

A escala mais usada nas empresas tem quatro níveis:

  • Público: material feito para divulgação, como o catálogo de produtos.
  • Interno: informação de circulação livre entre colaboradores, como procedimentos operacionais.
  • Confidencial: dado restrito a áreas ou funções, como propostas comerciais em negociação.
  • Restrito: dado cuja exposição causa dano grave, como uma negociação de aquisição ou laudos médicos de colaboradores.

Sobre a escala correm categorias transversais, que indicam quais obrigações acompanham o dado:

  • Dado pessoal: informação que identifica uma pessoa, sujeita à LGPD.
  • Dado pessoal sensível: saúde, origem racial, convicção religiosa, biometria e outras hipóteses com regras mais estritas na lei.
  • Segredo comercial: fórmulas, estrutura de custos e planos de produto.
  • Dado regulado: informação sujeita a norma setorial, como dados de cartão de pagamento.
Matriz de classificação de dados com níveis de sensibilidade e categorias transversais
Na classificação de dados, o nível diz quem pode ver e a categoria diz quais obrigações acompanham o dado

O dono do dado decide a classificação, e regras automáticas cuidam do volume

Quem classifica é o dono do dado, a pessoa de negócio que responde por ele. A gerente de RH classifica a base de colaboradores, e o diretor financeiro classifica as projeções de caixa.

A classificação de dados acontece em três granularidades: por fonte, quando o sistema de folha inteiro recebe nível restrito; por campo, quando CPF e telefone ganham nível próprio no CRM; e por documento, quando cada contrato recebe o nível do seu conteúdo.

No volume de uma empresa, regras automáticas reconhecem padrões, como números de CPF, termos de diagnóstico ou cabeçalhos de contrato, e sugerem um nível. O dono revisa os casos ambíguos, porque um falso público expõe o dado e um falso restrito trava o trabalho.

A classificação de dados costuma parar em um rótulo que nenhum sistema lê

Muitos programas terminam em uma política aprovada e em um carimbo no rodapé dos documentos. O carimbo orienta quem lê com atenção. Os sistemas tratam o rodapé como texto comum.

Outra versão vive em planilha. A área de segurança mantém a lista de sistemas com seus níveis, e nenhuma ferramenta consulta essa lista antes de entregar um dado.

Agentes de IA tornam a classificação de dados um pré-requisito

Antes da IA, boa parte do dado sensível ficava protegida pelo esforço de encontrá-lo, em subpastas e anexos que ninguém abria. Um agente lê esse material em segundos, e o resultado chega a quem fez a pergunta.

Por isso a classificação vem antes da conexão das fontes. Ela permite decidir o que pode entrar em cada ferramenta, em cada contexto e para cada pessoa. Um laudo de afastamento pode compor a resposta para a analista de RH responsável pelo caso e fica fora da resposta para o gestor da área.

O conteúdo gerado herda a classificação da fonte mais restrita

Um resumo da ata de aquisição carrega a informação da ata e, por isso, herda a classificação dela. Uma tabela que combina dados internos com uma coluna restrita assume o nível mais alto entre as entradas.

Sem essa herança, a IA abre um caminho de reclassificação silenciosa: o documento restrito continua protegido, e o resumo dele circula no canal do time.

Herança da classificação de dados: resumo gerado a partir de documento restrito herda a restrição
Na classificação de dados, o conteúdo gerado assume o nível mais alto entre as fontes

O Company Brain filtra o recorte pela classificação antes do modelo

O Company Brain conecta CRM, ERP, helpdesk, drive e demais fontes uma vez e organiza esses dados em grafo de conhecimento, ontologia do negócio e camada semântica. A classificação de dados entra como atributo das entidades e dos campos, ao lado da permissão herdada do sistema de origem.

A cada pergunta, o recorte passa por duas checagens. A permissão herdada confirma se a pessoa já vê aquele registro na fonte. A classificação confirma se aquele nível e aquela categoria podem compor a resposta naquele contexto e naquele modelo. Só então o recorte é servido via MCP, o protocolo aberto que conecta modelos a fontes de dados.

A ontologia guarda a regra de herança, e um resumo gerado a partir de entidades restritas é registrado com o nível mais alto entre as fontes. Cada resposta aponta a origem e a classificação de cada dado.

Company Brain aplicando classificação de dados e permissão herdada antes de servir o recorte via MCP
O Company Brain usa a classificação de dados para filtrar o recorte antes do modelo

Classificação desatualizada e texto livre são os limites mais frequentes

A arquitetura aplica a classificação que existe. Uma pasta interna pode passar a receber laudos. Sem revisão periódica pelo dono, o nível registrado descreve uma situação antiga.

E-mails, transcrições e documentos longos misturam trechos de níveis diferentes no mesmo arquivo. As regras automáticas erram nos casos ambíguos, e parte da classificação de dados continua dependendo de revisão humana.

A primeira rodada de classificação de dados começa pelas fontes que os agentes vão ler

Classificar todo o acervo antes do primeiro caso de uso tende a paralisar o projeto. O ponto de partida prático é listar as fontes que o primeiro agente vai consultar, nomear o dono de cada uma e definir o nível mínimo por fonte.

Na mesma rodada, cada dono marca os campos e as pastas que fogem desse nível, como a coluna de diagnóstico em um sistema de RH classificado como interno. Essas marcações entram no Company Brain antes da conexão, e cada caso de uso seguinte acrescenta apenas as fontes ainda não classificadas.

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